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Adaptação transcultural do Inventário de Depressão da Esclerose Lateral Amiotrófica para o Português do Brasil

Tatiana Lins Carvalho1, Maria Clara de Oliveira Magalhães2, Pedro Lucas de Mendonça Barbosa2,
Carolina da Cunha Correia1

1 Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Universidade de Pernambuco (UPE), Recife, PE, Brasil.

2 Faculdade de Ciências Médicas, UPE, Recife, PE, Brasil.

Recebido: 11/6/2015 – Aceito: 1/7/2015

DOI: 10.1590/0101-60830000000059

Endereço para correspondência: Tatiana Lins Carvalho. Rua Antônio de Castro, 150, ap. 601, Casa Amarela – 52070-080 – Recife, PE, Brasil. E-mail: tatiana.lcarvalho@gmail.com

Carvalho TL et al. / Arch Clin Psychiatry. 2015;42(4):111-2

Prezado Editor

Sintomas depressivos em pacientes com esclerose lateral amio­trófica (ELA) têm sido investigados por meio de instrumentos não específicos e que podem interferir nos resultados1-3.

Dada a evolução e comprometimento físico da ELA, foi desenvolvido, em 2005, o Inventário de Depressão da Esclerose Lateral Amiotrófica (ADI), para avaliar sintomas depressivos nessas pes­soas. Com base nos resultados do inventário, houve redução para 12 itens, trazendo segurança na mensuração de sintomas depressivos também em pacientes severamente paralisados4,5. Tendo em vista a precisão do instrumento para a detecção de sintomas depressivos em qualquer estágio da ELA e por ainda não estar em uso no Brasil, faz-se necessário traduzi-lo e adaptá-lo transculturalmente para a versão em português do Brasil – o ADI-12.

Há etapas formais para traduzir e adaptar instrumentos. Atenção à linguística deve ser dada durante a tradução, em virtude das diferentes semânticas entre os idiomas. Empregou-se como modelo o método sugerido por Beaton et al.6. A versão pré-final foi aplicada a 15 pacientes diagnosticados com ELA de acordo com o El Escorial-R em seguimento no Ambulatório de Doenças Neuromusculares do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) da Universidade de Pernambuco (UPE). Os participantes foram questionados para verificar se os itens respondidos correspondiam realmente ao que entendiam e se existiam possíveis mudanças a serem feitas no documento. Todas as pessoas tinham idade igual ou superior a 18 anos, eram de ambos os sexos e aceitaram participar da pesquisa após assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Tratou-se de um estudo realizado no período de dezembro de 2013 a novembro de 2014, após parecer favorável do Comitê de Ética e Pesquisa da UPE/PROPEGE (CAAE: 25749413.2.0000.5207).

Tabela 1. Versão original (em inglês), síntese da tradução e versão final da ADI-12 em português

Tabela 1. Versão original (em inglês), síntese da tradução e versão final da ADI-12 em português

A tabela 1 exibe os resultados das versões do ADI-12 de acordo com as etapas da adaptação transcultural. Algumas alterações sutis foram realizadas para aproximá-lo da linguagem usual do português do Brasil. Por exemplo, o termo “consists of” foi traduzido como “consta de”, porém preferiu-se traduzi -lo por “consiste em”, por ser de uso mais frequente em nossa língua e tornar mais fácil o entendimento para os entrevistados.

Na frase “I can appreciate life”, pelo contexto percebe-se que o verbo “can” significa habilidade, e não permissão, portanto a frase foi traduzida como “eu consigo apreciar a vida”, e não “eu posso apreciar a vida”. O termo “get away from it” é mais bem traduzido por “se desligar”, sendo assim a frase “I can get away from it all” foi traduzida como “eu consigo me desligar de tudo”, e não “eu consigo me livrar de tudo” ou “eu consigo lidar com tudo”. As demais questões sofreram adaptações mais livres, já que sua traducão literal expressava sua real intenção e não comprometia o sentido pretendido.

Nesse processo de adaptação cultural os pacientes não apresentaram dificuldade, durante a aplicação, em nenhuma das questões. Portanto, o ADI-12 foi considerado equivalente ao original em inglês tanto na semântica quanto na expressão dos conceitos, sem que fossem necessários ajustes posteriores.

A tradução do ADI-12 para o português do Brasil e sua adequação às condições socioeconômicas e culturais da nossa população torna esse instrumento um parâmetro adicional útil para ajudar na identificação dos sintomas da depressão em pacientes com ELA e, assim, melhorar a assistência a essas pessoas. Estudo com uma amostra maior se faz necessário para o processo de validação do instrumento.

Agradecimentos

Agradecemos a todos os pacientes e cuidadores que disponibilizaram seu tempo e contribuíram para o estudo.

Conflitos de interesse e financiamento

Os autores relatam não haver nenhum conflito de interesse nem fontes de financiamento.

Referências

  1. Ferentinos P, Paparrigopoulos T, Rentzos M, Zouvelou V, Alexakis T, Evdokimidis I. Prevalence of major depression in ALS: comparison of a semi-structured interview and four self-report measures. Amyotroph Lateral Scler. 2011;12(4):297-302.
  2. Oh H, Sin MK, Schepp KG, Choi-Kwon S. Depressive symptoms and functional impairment among amyotrophic lateral sclerosis patients in South Korea. Rehabil Nurs. 2012;37(3):136-44.
  3. Jelsone-Swain L, Persad C, Votruba KL, Weisenbach SL, Johnson T, Gruis KL, et al. The Relationship between Depressive Symptoms, Disease State, and Cognition in Amyotrophic Lateral Sclerosis. Front Psychol. 2012;3:542.
  4. Kübler A, Winter S, Kaiser J, Birbaumer N, Hautzinger M. Das ALS-Depressionsinventar (ADI). Z Klin Psychol Psychother (Gott). 2005;34(1):19-26.
  5. Hammer EM, Häcker S, Hautzinger M, Meyer TD, Kübler A. Validity of the ALS-Depression-Inventory (ADI-12) – a new screening instrument for depressive disorders in patients with amyotrophic lateral sclerosis. J Affect Disord. 2008;109(1-2):213-9.
  6. Beaton D, Bombardier C, Guillemin F, Ferraz MB. Recommendations for the Cross-Cultural Adaptation of Health Status Measures. New York: American Academy of Orthopaedic Surgeons; 2002.